FORMANDOS 2008.
É com muita satisfação que eu recebo essa homenagem dos meus alunos. Depois de anos de intenso trabalho reconheço que parte do meu esforço foi compensado, porque vários dos nossos alunos já são praticamente Universitários. Por uma questão de formalidade falta a correção de algumas provas das Universidades, mas já sabemos que pelo empenho de cada um nesse ano de 2008, ano decisivo, o resultado é a vitória.
Toda essa alegria só está sendo possível graças ao trabalho de um grupo de professores que têm procurado desempenhar suas funções na sociedade com dignidade, ética e dedicação. O Brasil são esses profissionais, o Brasil é um país de gente que trabalha e gosta de trabalhar, gente que ganha pouco e procura administrar a sua vida com a baixa remuneração que recebe. Não é meia dúzia de bandidos, uma dúzia de corruptos que irão ofuscar o brilho do nosso país. O que seria de vocês se nós professores não tivéssemos exigido o que exigimos. Sei perfeitamente que muitas vezes somos os algozes do processo, mas também sei que se não fosse assim vocês não chegariam aonde chegaram. Muitos aqui presentes concordam que valeu a pena todo esse sacrifício. Muitos podem lembrar as inúmeras vezes em que pedi silêncio, briguei para que lessem mais, proibi sair de sala, até o já conhecido “cala a boca e ouve! Quem manda aqui sou eu”. É, meus caros alunos, tudo foi dito com pesar, só que precisava ocultar essa piedade para, por meio do rigor, apontá-los a seriedade dessa fase de suas vidas. Perdoem-me, eu inúmeras vezes seria menos rigoroso, mas se não agisse com energia não sei se vocês não cairiam em desatenção e a importante disciplina seria deixada de lado.
Por outro lado, parte integrante desse processo não pode deixar de ser mencionada. Estou me referindo aos responsáveis de nossos alunos. Lembra mãe quantas noites acordada velando seu filho, lembra quantos sustos ele pregou quando ainda era bebê e você achou que ele estava se sufocando, lembra quando ele andou pela primeira vez, lembra da primeira palavra. Hoje seu filho já é um ser humano formado, já sabe distinguir o certo do errado, já sabe pedir desculpas porque eu também procurei ensinar isso a ele. Além disso, eu disse para o seu filho que o mais importante na vida é a família. Orientei o seu filho explicando que ele não abandone seus pais, que na velhice ele procure amar o seu responsável com o mesmo amor que ele foi recebido nesse mundo. Que na velhice ele seja paciente, que quando o seu velhinho disser “eu quero isso, quero aquilo, me leve aqui, me apanhe ali”, muitas vezes embaralhando o raciocínio do filho, que ele releve essa confusão e lembre que ele só está onde está graças a esse homem e essa mulher que enfrentaram o mundo, deixaram de lado suas vaidades, seus sonhos, suas noites de sono, para viver para eles. Tenho dito para os seus filhos que o amor é incondicional, só o amor salva as almas, só o amor nos leva a Deus.
Quem aqui presente não daria tudo, tudo - carro, casa, jóias - para ter de volta aquele ente querido que já partiu dessa vida. Lembra quando ele aqui estava, quanta alegria, que ombro para nós chorarmos nossas dores, aquela figura humana que muito nos ajudou. Pois é, a vida é assim, só compete nos conformarmos com a ordem divina.
Em síntese, se eu tivesse que dar a última aula para vocês, eu repetiria o que já disse: amem os seus responsáveis. Façam por eles tudo. Esse velhinho insistente, nervoso e impaciente foi quem te deu a vida, não se esqueça disso. Essa é a maior lição que um aluno deve levar dentro do seu coração, pela vida afora, para sempre.
Obrigado pelos alunos que vocês foram para todos nós, professores.
Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2008.
É com muita satisfação que eu recebo essa homenagem dos meus alunos. Depois de anos de intenso trabalho reconheço que parte do meu esforço foi compensado, porque vários dos nossos alunos já são praticamente Universitários. Por uma questão de formalidade falta a correção de algumas provas das Universidades, mas já sabemos que pelo empenho de cada um nesse ano de 2008, ano decisivo, o resultado é a vitória.
Toda essa alegria só está sendo possível graças ao trabalho de um grupo de professores que têm procurado desempenhar suas funções na sociedade com dignidade, ética e dedicação. O Brasil são esses profissionais, o Brasil é um país de gente que trabalha e gosta de trabalhar, gente que ganha pouco e procura administrar a sua vida com a baixa remuneração que recebe. Não é meia dúzia de bandidos, uma dúzia de corruptos que irão ofuscar o brilho do nosso país. O que seria de vocês se nós professores não tivéssemos exigido o que exigimos. Sei perfeitamente que muitas vezes somos os algozes do processo, mas também sei que se não fosse assim vocês não chegariam aonde chegaram. Muitos aqui presentes concordam que valeu a pena todo esse sacrifício. Muitos podem lembrar as inúmeras vezes em que pedi silêncio, briguei para que lessem mais, proibi sair de sala, até o já conhecido “cala a boca e ouve! Quem manda aqui sou eu”. É, meus caros alunos, tudo foi dito com pesar, só que precisava ocultar essa piedade para, por meio do rigor, apontá-los a seriedade dessa fase de suas vidas. Perdoem-me, eu inúmeras vezes seria menos rigoroso, mas se não agisse com energia não sei se vocês não cairiam em desatenção e a importante disciplina seria deixada de lado.
Por outro lado, parte integrante desse processo não pode deixar de ser mencionada. Estou me referindo aos responsáveis de nossos alunos. Lembra mãe quantas noites acordada velando seu filho, lembra quantos sustos ele pregou quando ainda era bebê e você achou que ele estava se sufocando, lembra quando ele andou pela primeira vez, lembra da primeira palavra. Hoje seu filho já é um ser humano formado, já sabe distinguir o certo do errado, já sabe pedir desculpas porque eu também procurei ensinar isso a ele. Além disso, eu disse para o seu filho que o mais importante na vida é a família. Orientei o seu filho explicando que ele não abandone seus pais, que na velhice ele procure amar o seu responsável com o mesmo amor que ele foi recebido nesse mundo. Que na velhice ele seja paciente, que quando o seu velhinho disser “eu quero isso, quero aquilo, me leve aqui, me apanhe ali”, muitas vezes embaralhando o raciocínio do filho, que ele releve essa confusão e lembre que ele só está onde está graças a esse homem e essa mulher que enfrentaram o mundo, deixaram de lado suas vaidades, seus sonhos, suas noites de sono, para viver para eles. Tenho dito para os seus filhos que o amor é incondicional, só o amor salva as almas, só o amor nos leva a Deus.
Quem aqui presente não daria tudo, tudo - carro, casa, jóias - para ter de volta aquele ente querido que já partiu dessa vida. Lembra quando ele aqui estava, quanta alegria, que ombro para nós chorarmos nossas dores, aquela figura humana que muito nos ajudou. Pois é, a vida é assim, só compete nos conformarmos com a ordem divina.
Em síntese, se eu tivesse que dar a última aula para vocês, eu repetiria o que já disse: amem os seus responsáveis. Façam por eles tudo. Esse velhinho insistente, nervoso e impaciente foi quem te deu a vida, não se esqueça disso. Essa é a maior lição que um aluno deve levar dentro do seu coração, pela vida afora, para sempre.
Obrigado pelos alunos que vocês foram para todos nós, professores.
Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2008.
