Papai Noel pelo avesso.
A impressão que se tem, e creio que muitos pensem assim, é que não há mais fronteira entre as festas típicas do ano. Mal termina uma e já começa a outra. Ou melhor, uma ainda nem terminou e a propaganda da outra já está pedindo passagem.
Faz poucos meses estávamos comendo canjica, cocada, pé-de-moleque. Era meio do ano e as festas juninas despontavam no céu carioca.
De repente, anunciaram que era “dia dos pais”. Corre para o shopping, procura daqui, fuça dali e pronto, aqui está o presente que é “a cara dele”.
Quando ainda estamos desgastando o almoço do famoso domingo, já assistimos, em tempo real, o anúncio do dia das crianças.
Mas, nesse meio termo acontece a conhecida festa de Cosme e Damião. Esta não tem comercial, também não precisa. Basta chegar setembro para os nervos das crianças despertarem o dia 27.
Ainda nem terminou outubro, ainda não choramos nossos mortos e Papai Noel já acena para nós. Falta um pouco menos de dois meses para o Natal, no entanto as lojas já estão vermelhas. Aliás, esse Papai Noel é a figura mais estranha do nosso folclore tipo exportação. Como pode, um calor desgraçado, e o bom velhinho, coitado, para baixo e para cima atraindo o público, consumidor, é claro.
Como o texto insiste em seguir essa linha, e não se deve contrariar um texto, aí vai: qualquer ano teremos uma única festa, porque o Papai Noel virá fantasiado de coelho da Páscoa, distribuindo saquinhos de doce, presenteando ou amando as mães, esculhambando os pais reprodutores, dançando samba em plena Cinelândia.
Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2008.
A impressão que se tem, e creio que muitos pensem assim, é que não há mais fronteira entre as festas típicas do ano. Mal termina uma e já começa a outra. Ou melhor, uma ainda nem terminou e a propaganda da outra já está pedindo passagem.
Faz poucos meses estávamos comendo canjica, cocada, pé-de-moleque. Era meio do ano e as festas juninas despontavam no céu carioca.
De repente, anunciaram que era “dia dos pais”. Corre para o shopping, procura daqui, fuça dali e pronto, aqui está o presente que é “a cara dele”.
Quando ainda estamos desgastando o almoço do famoso domingo, já assistimos, em tempo real, o anúncio do dia das crianças.
Mas, nesse meio termo acontece a conhecida festa de Cosme e Damião. Esta não tem comercial, também não precisa. Basta chegar setembro para os nervos das crianças despertarem o dia 27.
Ainda nem terminou outubro, ainda não choramos nossos mortos e Papai Noel já acena para nós. Falta um pouco menos de dois meses para o Natal, no entanto as lojas já estão vermelhas. Aliás, esse Papai Noel é a figura mais estranha do nosso folclore tipo exportação. Como pode, um calor desgraçado, e o bom velhinho, coitado, para baixo e para cima atraindo o público, consumidor, é claro.
Como o texto insiste em seguir essa linha, e não se deve contrariar um texto, aí vai: qualquer ano teremos uma única festa, porque o Papai Noel virá fantasiado de coelho da Páscoa, distribuindo saquinhos de doce, presenteando ou amando as mães, esculhambando os pais reprodutores, dançando samba em plena Cinelândia.
Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2008.

12 comentários:
O blog tá lindo!
Já li todos os contos, esse está maravilhoso!
O que é a mais pura verdade... Me assustei quando entrei no mercado e vi um panetone pensei JÁ É NATAL?!
Continue postando contos maravilhosos assim.
Por causa de você, comecei a tomar jeito pra leitura hahahaah!
Beijão professor!
Genial, simplesmente genial, imaginei a imagem do coitado papai noel na cinelandia
muito boa professor
pior q é verdade rsrsrsrs
continua espero o proximo
Parabéns pelo blog...está perfeito!!
Li os textos e axei fantasticos!!!
Continue assim!
To com vc para tudo!
beijos!!
hahahaha perfeita crítica!
adorei os textos !
parabéns pelo blog !
beijos !
Clarinhaa
Caro Professor
Exelente texto, mais um para a lista de textos criativos em seu blog.
Essa conclusão foi fantástica, dançando samba na cinelândia é otimo rsrs.
Por favor professor, escreva mais.
Grato
Cesar Cobellas.
E a economia brasileira continua se aquecendo, não é mesmo?
Bem lembrado professor.
Pinheiro coberto de neve falsa em pleno verão carioca hein?
Haha, espero os próximos posts.
SENSACIONAL!!
Luciana Guedes
'Já é Natal na [loja de peças de roupas conhecida]'
hahaha você comento comigo isso antes de terminar as aulas,mas não tinha lido ainda,e como o senhor brigo comigo pq li o 1 conto e não comentei estou aqui e comentando,gostei muito do texto,como sempre criticando,mas com base em uma realidade,infeliz,mas realidade!
Parabéns Professor e até o ano que vem...
Leandro Werneck.
É, estamos na época do "compre batom", como o senhor diz, hoje dia 12 de março já faz duas semanas que os ovos já estão a venda para a páscoa.
Postar um comentário