Tarde de outono.
Luciano caminhava lento, os braços soltos, coração com marcação descompassada, óculos no rosto, cabelos ao vento da tarde que começava a chegar.
O que acontecera minutos antes não lhe saia da mente. O quadro era tão intenso, tão real, tão vivo na sua mente, que por loucura ou desespero Luciano se achava em sonho.
O pensamento ia e vinha. Numa dessas voltas eis que Luciano percebe um dado novo para sua recente experiência.
Passos lentos, mente solta, eis que Luciano troca de calçada e se depara com aquela mulher, fisicamente horrível, mas de uma beleza incomum no olhar. Luciano mergulha naqueles olhos, sente tontura e de repente se vê num grande baile estudantil. No salão casais jovens e entusiasmados bailam como os cisnes em suas misteriosas formas. Luciano penetra no ambiente sem ser notado pelos dançantes. Percorre o pequeno salão, se aproxima, cumprimenta, repete o cumprimento, sacode, grita e nada, nada convence o corpo daquele espaço.
Luciano desiste das pessoas e passa aos objetos. Nesse momento observa os móveis, as roupas dos estudantes, as paredes pintadas com um branco neve com o assoalho em madeira. Nota que nas paredes existem muitos quadros, e passa a admirá-los. São tantos, musas, paisagens naturais, jarros de flores, mulheres vestidas e despidas. Essas últimas prendem mais a atenção de Luciano. Ele persegue todas, indiscriminadamente. Quando passa de uma tela a outra, eis o choque: Luciano esfrega os olhos e se depara com a mulher da calçada que some entre os passantes.
Luciano continua seu caminho. Lento, os braços soltos, coração com marcação descompassada, óculos no rosto, cabelos expostos às primeiras gotas da chuva que começa a cair nessa fria tarde de outono.
Rio de Janeiro, 26 de março de 1998.
Luciano caminhava lento, os braços soltos, coração com marcação descompassada, óculos no rosto, cabelos ao vento da tarde que começava a chegar.
O que acontecera minutos antes não lhe saia da mente. O quadro era tão intenso, tão real, tão vivo na sua mente, que por loucura ou desespero Luciano se achava em sonho.
O pensamento ia e vinha. Numa dessas voltas eis que Luciano percebe um dado novo para sua recente experiência.
Passos lentos, mente solta, eis que Luciano troca de calçada e se depara com aquela mulher, fisicamente horrível, mas de uma beleza incomum no olhar. Luciano mergulha naqueles olhos, sente tontura e de repente se vê num grande baile estudantil. No salão casais jovens e entusiasmados bailam como os cisnes em suas misteriosas formas. Luciano penetra no ambiente sem ser notado pelos dançantes. Percorre o pequeno salão, se aproxima, cumprimenta, repete o cumprimento, sacode, grita e nada, nada convence o corpo daquele espaço.
Luciano desiste das pessoas e passa aos objetos. Nesse momento observa os móveis, as roupas dos estudantes, as paredes pintadas com um branco neve com o assoalho em madeira. Nota que nas paredes existem muitos quadros, e passa a admirá-los. São tantos, musas, paisagens naturais, jarros de flores, mulheres vestidas e despidas. Essas últimas prendem mais a atenção de Luciano. Ele persegue todas, indiscriminadamente. Quando passa de uma tela a outra, eis o choque: Luciano esfrega os olhos e se depara com a mulher da calçada que some entre os passantes.
Luciano continua seu caminho. Lento, os braços soltos, coração com marcação descompassada, óculos no rosto, cabelos expostos às primeiras gotas da chuva que começa a cair nessa fria tarde de outono.
Rio de Janeiro, 26 de março de 1998.

7 comentários:
Amigo e Professor André
Lindo conto! Uma obra maravilhosa, onde a cada letra lida, sentimos vontade de prosseguir a leitura para saber o que irá ocorrer.
Muito Obrigado Professor, por me dar a Oportunidade de ler mais um texto estupendo.
Peço ao senhor que, por favor, continue escrevendo, pois eu adimiro muito os seus textos.
Muito Obrigado.
Abraços do seu aluno e amigo
Cesar Cobellas
muito manero o conto professsor
aguardo ancioso para ler os proximos
principalmento a tão comentada
chapelsinho rosa
Gostei muito do conto professor, continuo frequentando o blog sempre que tenho chance, e ja posso ouvir o povo chamando o nome da chapéuzinho, rs
Gerbassi
Agora é minha vez de dizer que tenho orgulho de tê-lo como professor!
"mulheres vestidas e despidas. Essas últimas prendem mais a atenção de Luciano"
hahahaha.. é muito a sua cara essa parte.
amei o blog professor.
Beeeijo,
Stéphanie
Como era de se esperar, está muito bem escrito porfessor. Foi uma leitura muito agradável, adorei a passagem que diz " que por loucura ou desespero Luciano se achava em sonho." e como você descreve o olhar da mulher.
Gostei muito do blog professor
visita o nosso também.
http://vendo-sonhos.blogspot.com/
Beijos,
Rachel.
Professor André,
adorei os seus textos, como já era de se esperar, o senhor escreve muito bem! Sempre que puder, passarei por aqui para ler mais textos seus.
Concordando com a Stéphanie, tenho orgulho em tê-lo como professor!
Beijos,
Gabrielle Selegar.
Este conto dá uma curiosidade a mais ao leitor, imaginamos muitas coisas, será que ele falou com a mulher? Ela teria dado um "fora"? O que será que aconteceu?
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